Lá se pensam, cá se fazem.

Hu

A actual crise que atinge o mundo em geral e Portugal em particular, agravou a miséria humana e faz do futuro uma incerteza. Impõem-se alterações no sistema financeiro e nas actividades económicas em geral, mas também no sistema de valores, nos padrões diários da população, nos comportamentos e atitudes face à comunidade onde nos inserimos. Uma sociedade não é apenas coabitar no mesmo espaço ou cumprir deveres e exigir direitos. Uma sociedade é feita de pessoas. De interacção e cooperação. De luta por um bem comum! O nosso envolvimento directo, em pequenas ou grandes acções, local ou globalmente, contribui para o aumento de uma consciência civil e converge para uma sociedade mais justa e solidária. Reconhecer problemas e apresentar soluções são factores determinantes para uma cidadania activa. Desde a integração numa ONG ao simples acto de plantar uma árvore no nosso bairro, o impacto social do voluntariado atinge proporções inimagináveis. O voluntariado permite criar redes sociais e conhecer novas realidades; facilitar a inclusão social e o diálogo intergeracional; promover uma consciência social e ambiental; aumentar a coesão, a integração e a solidariedade nas comunidades; desenvolver uma cidadania activa e uma democracia mais participativa; e contribuir com soluções para os problemas locais e globais. Só na União Europeia existem cerca de 100 a 150 milhões de voluntários, mas as disparidades entre países são abismais. Em Portugal, a par da Grécia ou da Bulgária, a percentagem de cidadãos que não participam em qualquer acção de voluntariado é muito elevada.(1)(3) Temos uma média anual de 12% de voluntários no país, uma das mais baixas da Europa.(2) Torna-se essencial agir para que esta tendência se reverta. A população de Portugal conta com 10,562,178 pessoas.(4) Temos cerca de 5,000,000 de emigrantes, em 140 dos 196 países do mundo. Juntos, podemos fazer a diferença. Há projectos, há pessoas, há iniciativas que o comprovam. Existe uma sociedade civil activa em Portugal, formada por instituições de carácter social, organizações não governamentais, fundações e associações comunitárias, entre outras, que nem sempre são devidamente reconhecidas.(5)(6) No entanto, muitas trabalham de forma isolada, sem estabelecerem parcerias entre si e ignorando os projectos que cada uma desenvolve, limitando o impacto que juntas poderiam causar. Informação sobre formação, vagas de emprego, voluntariado e oportunidades de acção na área da intervenção humanitária e cooperação está também disponível para quem a procura. Contudo, encontra-se muito dispersa e existem poucas campanhas de divulgação e sensibilização para o tema, reduzindo a sua visibilidade e, assim, o número de cidadãos que poderia contribuir. A Revista Hu quer fazer parte da solução. Temos como objectivos aumentar a divulgação da intervenção da sociedade civil, reforçar a parceria entre as entidades que a constituem e promover o seu reconhecimento, disseminando informação, concentrando-a num só local, acessível a todos; e incentivar a participação da população, promovendo o voluntariado, a cidadania activa e a inclusão social. O projecto pretende, de forma faseada, trabalhar em duas frentes: na criação de uma revista trimestral em suporte físico e de um suporte digital online de actualização contínua. Desta forma, a informação não só estará disponível a nível mundial através da internet, como sairá às ruas, numa revista gratuita destinada a cruzar-se nas rotinas do cidadão comum. Os conteúdos a abordar em ambos os suportes serão variados, de forma a que a informação divulgada englobe o maior número possível de entidades, projectos, iniciativas e pessoas. Pretende-se incluir reportagens sobre associações e projectos nacionais e internacionais bem como entrevistas a trabalhadores, voluntários e beneficiários, local e globalmente; divulgação de projectos que visem o bem estar das comunidades e do meio ambiente; um espaço dedicado à discussão e debate sobre o tema, bem como notícias e acontecimentos relevantes, da pequena à larga escala; informação detalhada sobre formações, vagas de emprego, estágios e oportunidades de voluntariado; e uma agenda de actividades futuras e contactos. De forma a controlar a sua eficácia e qualidade, a estratégia passa por estabelecer a revista a nível local, para progressivamente se alargar a outros territórios. Numa primeira fase, a revista terá como público alvo o Grande Porto, onde iniciaremos os primeiros contactos e criaremos as primeiras sinergias entre organizações e cidadãos. Futuramente, avaliado o seu impacto, a Hu pretende englobar o território nacional. A Fundação Calouste Gulbenkian pode ajudar a Revista Hu a tornar-se realidade. Acreditamos que este projecto pode fazer a diferença e que é do interesse de todos ajudá-lo a subsistir. (1) GHK, Study on Volunteering in the European Union, 2010 Final Report (2) CEV, European Volunteer Center, Volunteering in Portugal, Facts and Figures, 2008 (3) UE, Standard Eurobarometer, 2010 (4) INE, Instituto Nacional de Estatística (5) OEFP, Observatório do Emprego e Formação Profissional, O Papel do Voluntário nas Políticas Sociais, 2011 (6) PROACT, Estudo de Caracterização do Voluntariado em Portugal, 2012

Joana Sanches

Visionário
São Tomé, São Tomé e Príncipe

André Gigante

Comunicador
Porto, Portugal

Lara Magalhães

Facilitador
Porto, Portugal

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