Lá se pensam, cá se fazem.

Connecting Porto

No âmbito do programa FAZ – Ideias de Origem Portuguesa, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação Talento, o projecto Connecting Porto tem como espaço de actuação a cidade do Porto. O problema reside no abrandamento da economia, que por sua vez gera desemprego, êxodo e desertificação do centro urbano, gerando, segundo estatísticas, vinte por cento de desocupação do centro da cidade, e levando à degradação de espaço público e do edificado envolvente. O projecto Connecting Porto tem como tema o conceito de Consultoria Urbana. Como estratégia propõe-se a construção de uma plataforma online de consulta intuitiva que permita mediar entidades interessadas na qualificação da cidade. A plataforma prevê a divulgação de áreas críticas do tecido urbano, ordenadas por nove temas distintos e a reflexão em torno de soluções projectuais através de call for ideas. Propõe-se o cruzamento de proprietários, tais como arrendatários e poder autárquico, de promotores e de grupos de acção e a cooperação com ateliers de desenho e de acompanhamento de obra. Interessa-nos repensar o Porto de dentro para fora, actuando sobre as necessidades viscerais, encarando-o como porta da Europa e não como pertencente à sua periferia. Reforçamos a leitura de elo mediador entre polos que desenham o eixo Atlântico constituído pelas cidades Corunha, Lisboa e Faro, e reforçamos a intenção de estabelecer relações económicas entre Portugal, a Galiza e o Mundo. A plataforma digital incluirá os seguintes temas: Edifícios devolutos que têm um importante papel na dinamização do espaço público envolvente pela colocação estratégica que assumem na malha urbana; Estruturas embargadas que a baixo custo e recorrendo a operações de charme propõem novos rostos, camuflando actividades como estacionamento, e publicitando a indústria e os serviços portugueses; Armazéns e caves da frente Ribeirinha de Gaia que caíram na sua maioria em desuso e que permitem convidar empresas a sediarem as suas instalações no campo visual do centro do Porto, construindo paisagem através de letterings publicitários; Estruturas viárias, ruidosas, sombrias e frias como pontes e viadutos, que representam cortes abruptos e cicatrizes nos tecidos; Espaços’ palco, como largos, miradouros e pracetas a céu aberto que pela sua configuração espacial de caixa para espectáculos e que pela presença de um edifício com impacto cenográfico, permitem pensar e receber eventos temporários; Miolos de quarteirão que permitem a exploração pontual de logradouros privados, cedendo-os ao uso público para comércio, restauração, micro-mercados e micro-hortas. Grandes vazios, como áreas por estruturar como escarpas sem ligação entre cotas para residências de estudantes ou como descampados resultantes do encontro de diferentes tecidos da cidade para a recepção periódica de dinâmicas alternativas como concertos, circos e feiras; Frente de água que permite a inclusão de palcos para espectáculos, de jangadas para cinema ao ar livre e de piscinas cobertas e descobertas que conquistem ao rio espaço de interacção; Espaços sem morada, como helicópteros, balões de ar quente, barcos, eléctricos e autocarros velhos, contentores dos portos marítimos, entre outros, são pensados para ocupações e percursos temporários. Os objectivos do projecto passam por reabilitar as estruturas físicas da cidade e por impulsionar a sua imagem e identidade; passam por densificar a população do centro; e passam por intensificar as actividades económicas, culturais e sociais. Importa-nos um Porto nómada e sedentário de quem está e de quem passa, ou seja, um Porto do habitar (temporário ou efectivo), um Porto de produção de bens (matéria e ideias) e de incentivo à criação de emprego e um Porto de lazer onde se instigam trocas de referências a partir da recepção de turistas e de trabalhadores e estudantes estrangeiros. Como síntese, a presente proposta prevê a existência de uma plataforma online que concentre diferentes entidades e acções pela seguinte sequência: - construir uma base de dados a partir de um olhar inovador sobre espaços disfuncionais que têm carácter para receber funções alternativas; - contactar e divulgar factuais proprietários dos espaços selecionados; - ponderar soluções à luz das ferramentas, conteúdos e conceitos dos campos disciplinares da Arquitectura, do Urbanismo e do Paisagismo em cooperação com as mais diversas áreas, através da organização de Call for Ideas; - contactar e divulgar potenciais promotores e investidores nacionais e internacionais com financiamentos e modelos de negócio sustentáveis; - implementar projectos.

Rita Costa Lopes

Visionário
Porto, Portugal

Maria Sofia Santos

Facilitador
Porto, Portugal

Joana Machado

Comunicador
None,

Ana Bragança

Facilitador
Luanda, Angola

Comentários