Lá se pensam, cá se fazem.

NÓS

O projeto Nós visa promover o encontro, a partilha de vivências e a construção de relações afectivas e de solidariedade entre pessoas mais velhas com rede familiar insuficiente ou inexistente, que frequentem centros de dia ou similares, e crianças ( 6 a 12 anos) em risco, institucionalizadas em centros de acolhimento. O trabalho da nossa equipa será o de reunir as condições e estimular a construção destas relações e criar e manter parcerias sólidas com as instituições a envolver, imprescindíveis ao sucesso do projeto. Queremos contribuir efectivamente para diminuir o isolamento e a exclusão social que estes dois grupos frequentemente sentem. Os verdadeiros protagonistas da inversão desta situação serão as pessoas idosas e as crianças que decidam integrar o projeto. Nós contribuiremos com o estímulo e organização prática necessários em cada momento e com um acompanhamento cuidadoso e sensível em todas as fases do processo. A ideia de trabalhar com esta população parte da observação de um paradoxo na nossa realidade. Estes são dois grupos sociais especialmente vulneráveis a sentimentos de solidão e de desenraizamento e com necessidades afectivas e psicológicas prementes. Ambos necessitam de estímulos afetivos e relacionais que facilmente se complementam e podem beneficiá-los mutuamente. Isto é tanto mais verdade no caso de crianças em situação de acolhimento e das pessoas idosas, particularmente frágeis numa sociedade demasiado ocupada e acelerada. Mas as respostas sociais existentes para fazer face a esta situação raramente aproximam as gerações mais velhas e as mais novas. Estar com crianças pode ter um efeito rejuvenescedor e conferir uma sensação de inclusão, valor e propósito às pessoas idosas. Pode, ainda, constituir um importante estímulo cognitivo e emocional, contribuindo para uma saúde mental e física mais sólida e duradoura. Por seu lado, relacionar-se com pessoas mais velhas pode transmitir uma sensação de conforto emocional e confiança e ser uma experiência estruturante para as crianças. Quantas avós e avôs e netos e netas não sentem ou sentiram já tudo isto? De uma forma geral, tanto as pessoas idosas como as crianças retiram prazer de actividades lúdicas, imaginativas e dinâmicas e comunicam facilmente no universo do não verbal e sensorial. Para facilitar esta aproximação usaremos linguagens artísticas e processos criativos, podendo englobar música, dança, contos, artes plásticas e outros meios, de acordo com as especificidades etárias e preferências pessoais dos/as destinatários/as do projecto. Esta forma de trabalho possibilita uma troca mutuamente enriquecedora de referências culturais entre gerações, bem como pôr a sua vida e o tempo em perspectiva. É uma forma de promover um encontro entre o gangnam style e a Laura Alves, ou entre o João Villaret e um personagem do Disney Channel. E isto combate o “já sou velho/a para isso” bem como o “já não é do teu tempo”, criando um tempo de coexistência e partilha, o agora. Várias fases e momentos-chave do projeto serão registados e documentados por meios escritos e audiovisuais. Este processo transversal ao projeto servirá de reflexão e avaliação contínua e deixará registos utilizáveis em possíveis projetos posteriores. Este é um projecto-piloto, com a duração prevista de um ano e englobará um número reduzido de pessoas. Assim pode construir-se uma base sólida que perdure para além da vida do projecto e possa ser replicável numa maior escala. Isto só será possível se pudermos dedicar tempo e qualidade à sua matéria-prima: escuta, partilha e atenção ao estarmos juntos/as e nos (re)ligarmos.

Marta Neto

Visionário
Leicester, Reino Unido

Ana Paula Silvestre

Facilitador
Lisboa, Portugal

Diana Mota

Comunicador
Lisboa, Portugal

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