Lá se pensam, cá se fazem.

Folk-Talk

Hoje em dia assistimos a um progressivo envelhecimento da população do país, especialmente no Porto. Segundo o documento „Porto solidário, Diagnóstico Social do Porto“, realizado entre Setembro de 2008 e Junho de 2009, „o concelho do Porto apresenta índices de envelhecimento e de dependência de pessoas idosas muito superiores à média nacional, conforme ficou evidenciado na análise das dinâmicas sociodemográficas.“ (Porto solidário, Diagnóstico Social do Porto, Universidade Católica Portuguesa, Camara Municipal do Porto, p. 23). As dificuldades já conhecidas desta faixa etária – pessoas idosas – como os problemas de saúde, a insegurança, as reduzidas condições de mobilidade, acessibilidade e habitabilidade, têm tendência a agravar-se quando verificadas situações de isolamento, como revelam os valores da Operação Censos Sénior, realizada em 2011 „cerca de 60% da população idosa vive só“ (informação consultada na revista Destaque, do dia 3 de Fevereiro de 2012). Apesar de se assistir hoje em dia a uma colaboração cada vez mais consciente, activa e empenhada e mobilização social por parte das diferentes instituições e cidadãos comuns, a vulnerabilidade verificada continua visível, nomeadamente, „(n)a necessidade de melhoria no plano do atendimento personalizado.“ (Porto solidário, Diagnóstico Social do Porto, Universidade Católica Portuguesa, Câmara Municipal do Porto, p. 244). Que o problema do envelhecimento do país é grave e enraízado, já todos nós sabemos. Que as entidades governamentais e as instituições de voluntariado não são suficientes para a sua resolução, também o bem sabemos. O que fazer portanto, perante o cenário descrito, senão agarrar as oportunidades de diálogo e aprendizagem intergeracional? A nosso ver, este é um dos maiores desafios de carácter humanitário que a cidade do Porto nos coloca. Tomamos o factor „envelhecimento“, não como uma realidade social estacionária, mas sim, como uma mais-valia de regeneração da criatividade e inovação social da comunidade! O projecto "Folk-Talk" visa combater o isolamento dos idosos e revitalizar tradições a desaparecer, nomeadamente as que são artisticamente ligadas (por exemplo, olaria, tecelagem, costura, danças, música popular portuguesa, etc.). Para tal, propõe-se criar uma plataforma de troca de valores entre idosos e jovens, e como resultado, obter valores acrescentados à borla! A iniciativa não pretende ser mais um projecto de voluntariado. Procura-se sim, um equilíbrio de interesses, directo e justo para ambas as partes. Os idosos terão como responsabilidade passar o testemunho de tradições e experiências já em desuso, através de „conferências informais“ (Folk-Talks) e eventuais mini-formações e workshops, igualmente, enquanto que os jovens, por sua vez, comprometem-se a assistir e dispender „tempo de conversa“. (os chamados “Agentes de Proximidade“, responsáveis pela vigilância e práticas de proximidade sócio-comunitária, testemunham que „Com frequência, estas pessoas [idosas] reclamam apenas «tempo de conversa.“ (Porto solidário, Diagnóstico Social do Porto, Universidade Catolica Portuguesa, Camara Municipal do Porto, p. 163)). O projecto "Folk-Talk" funcionará portanto, como o elemento mediador e mediatizador entre o folclore (folk (povo) + lore (ciência)) e a conversa (talk).

João Paulo Calvet

Visionário
Maia, Portugal

José Eduardo Calvet

Facilitador
Berlim, Alemanha

Tatiana Nunes Trindade

Facilitador
Berlim, Alemanha

Sara Brysch

Comunicador
Berlim, Alemanha

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