Lá se pensam, cá se fazem.

ENTRE CIDADES... ESTÃO AS ALDEIAS!

Portugal, país de tradiçoes rurais e país rico em recursos naturais, que tem visto ao longo dos anos as suas aldeias serem abandonadas por milhares de pessoas que partiram em direcção às cidades (ou ao exterior). Durante muito tempo viver na cidade foi sinónimo de viver melhor, com mais luxos, mais possibilidades e mais êxitos. Num momento como o actual, em que inclusive satisfazer as necessidades mais básicas (comida, tecto, serviços de saúde) começa a ser um desafio para muitas famílias; o regresso a um contexto rural começa a ser uma alternativa cada vez mais lógica, viável e acessível. Se actualmente nas cidades sobram trabalhadores que, atingidos pelo desemprego, deixam de poder suportar os gastos inerentes à sua subsistência, nos aglomerados mais pequenos escasseiam os profissionais que possam proporcionar aos habitantes todo o tipo de serviços (desde saúde, educação, cultura, etc.) Propomo-nos aproveitar o capital e potencial humano considerado ‘excedente’ em núcleos urbanos de maior dimensão, para dinamizar e revitalizar aldeias em processo de desertificação ou envelhecimento, cuja principal necessidade são precisamente estes recursos humanos. Para isso, analisamos uma aldeia X. Identificamos em conjunto com as entidades administrativas (juntas de freguesia, centros de emprego da cidade mais próxima,etc) e outras (empresas da região, indústrias, universidades, associações locais, moradores….) as suas necessidades básicas e o seu potencial. Deste confronto de ideias nasce a proposta de um diagrama inicial de infraestructuras e recursos humanos necessários para iniciar a (re)activação da aldeia. Pretende-se que, com um investimento mínimo de trabalho e dinheiro, se possa converter a aldeia numa opção viável e atractiva para quem sobrevive a custo na cidade. Numa primeira fase, procede-se à definição de um grupo de técnicos/investigadores/trabalhadores essenciais para a reabilitação das infraestruturas e dinamização inicial. Posteriormente, define-se o elenco dos restantes profissionais necessários para activar completamente esta aldeia. Assim, se completa uma espécie de ‘micro sistema’ que possa, no limite, ser quase auto-suficiente, proporcionando uma alternativa válida, quer para pessoas que não encontram no mercado de trabalho actual uma saída, quer para o cidadão comum. Este ‘micro sistema’ compreende desde os serviços de primeira necessidade como a alimentação, a saúde e a educação, até à exploração das indústrias e actividades locais, às novas tecnologias ou à cultura. O projecto dirige-se, assim, a todos os profissionais/cidadãos que possam encontrar o seu lugar no ‘micro sistema’ de um núcleo urbano mais pequeno. Se por um lado, se oferece às gerações ‘urbanas’ novas experiências de socialização e de relaçães de pequena escala, por outro lado, propõem-se custos de vida muito mais acessíveis, com base num crescimento auto-suficiente, fruto da exploração consciente dos recursos naturais e da redescoberta da agricultura. Simultaneamente, levamos às populações envelhecidas e isoladas, o rejuvenescimento e o incentivo à partilha e troca de conhecimentos e de experiências de vida (conhecimentos de agricultura, pecuária, culinária, artesanato, etc).Todos têm algo que ensinar e que aprender. Propomos um intercâmbio fundamentado na troca de saberes e de serviços, direccionado para a cooperação, a sustentabilidade e a ecologia. Pretendemos, com este projecto, reclamar o regresso às aldeias como uma saída possível. Num momento economicamente e socialmente tão complicado como o actual, de certo modo, procuramos motivar o investimento de trabalho, tempo, engenho e arte ‘cá dentro’. Procuramos que a alternativa deixe de ser ‘saír do país’ e passe a ser ‘descobrir o país e todo o seu potencial’.

Hélia Pires

Visionário
Barcelona, Espanha

Ana Valente

Facilitador
Lisboa, Portugal

Anne Lippmann

Facilitador
Barcelona, Espanha

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