Lá se pensam, cá se fazem.

Dar a volta à Rua!

Nas áreas urbanas e suburbanas de Lisboa e Porto vivem 1 milhão de crianças! Há quanto tempo não as vemos a brincar na rua? Vivemos um tempo em que grande parte das zonas urbanas e suburbanas das áreas metropolitanas estão desumanizadas, decadentes ou sem vida. As regiões da grande Lisboa e do grande Porto cresceram aceleradamente nas últimas décadas, mas esse crescimento não foi acompanhado por um desenvolvimento urbanístico capaz de responder às necessidades de qualidade de vida das populações. A prioridade foi sendo dada às condições de habitabilidade dos edifícios, tendo-se resolvido já a maioria dos problemas inerentes às necessidades mais básicas (água, saneamento, eletricidade, etc). Mas o desenvolvimento do espaço público foi sendo relegado para segundo plano, e desenvolveu-se de forma deficiente e deficitária na maioria dos casos. Paralelamente, deu-se um crescimento voraz do parque automóvel, e os carros foram tomando conta desse espaço público abandonado, ocupando vias, passeios, praças. Desapareceram as zonas de laser, os campos de jogos, os espaços de brincadeira. As crianças deixaram de brincar na rua, os idosos refugiaram-se em casa, os adultos ativos reduziram a sua vida social. O projeto “Dar a volta à Rua” tem como objetivo inverter essa tendência. Pretende-se alterar o paradigma de utilização do espaço público, encontrando uma forma equilibrada de desenvolver a rua que permita recuperar as atividades ao ar livre em plena área urbana. Não se pretende ostracizar o automóvel, mas retirar-lhe do papel dominador e condicionador da vida urbana. O automóvel ocupa espaço e condiciona as restantes atividades, em virtude de incorporar o perigo de atropelamento. O projeto “Dar a volta à Rua” baseia-se na eliminação deste problema/perigo para criar condições de utilização da rua para outras funções. O projeto ‘Dar a volta à Rua’ ira trabalhar com as comunidades locais formas de transformar as suas ruas, aliando a sabedoria vivencial que a comunidade tem do seu território à capacidade técnica da equipa de planeamento e mobilidade. Nesse processo, a comunidade irá adquirir as capacidades necessárias para pensar e modificar a sua rua. Serão os residentes a tomar as decisões e a realizar esse trabalho de planeamento, modelacao do espaço da sua rua e implementacao no terreno das medidas propostas por todos. Além do seu forte cariz ambiental e social, um dos pontos mais relevantes deste projeto é o reduzido custo/eficácia das soluções que propõe implementar. De facto, trata-se de utilizar os recursos humanos e as sinergias dos membros da própria comunidade para levar a cabo a implementação de soluções técnicas de muito baixo custo para obter resultados ambientais, sociais, pedagógicos e mesmo económicos muito relevantes. Esta metodologia acentuará o sentimento de pertença ao espaço público, determinante para que o projeto seja cuidado e defendido pela comunidade após a sua implementação. Vamos dar a volta à rua! Vamos fazer cidades amigas das crianças, cidades amigas das pessoas!

Andre Neves

Visionário
Oxford, Reino Unido

Pedro Machado

Facilitador
Lisboa, Portugal

Comentários