Lá se pensam, cá se fazem.

casaescola

As zonas rurais de Portugal apresentam características diferenciadoras do contexto urbano, com comunidades circunscritas de características únicas na forma de viver, na utilização do espaço, nos objetos, nas práticas, nas tradições, nos saberes, no património, na identidade. São zonas periféricas determinadas por alterações recentes pela perda de centralidade das atividades agrícolas, enfrentando cenários de mudança e perda identitária, pelo envelhecimento e decréscimo dos seus habitantes. A regeneração destes lugares passa por um conjunto de estratégias de promoção e valorização de símbolos de singularidade inatos a estes locais. Para este projeto apresenta-se a aldeia de Gondesende de Bragança que faz parte integrante do Parque Natural de Montesinho, que se situa no Nordeste Transmontano de Portugal. O principal setor de atividade económica local é a agropecuária, baseada em modos tradicionais e alguns meios mecanizados com pequenos circuitos comerciais para os produtos produzidos. O fenómeno de desertificação e envelhecimento da sua estrutura populacional é visível. Tem uma população residente de 36 habitantes e confrontada com a possibilidade de ser ainda mais reduzida se não recorrer a mecanismos de fixação ou de retorno de indivíduos. Os fatores que contribuem para este cenário são sobretudo os de ordem económica, não permitindo a fixação de população em idade ativa. São encontradas várias expressões de produção material e imaterial de constância criativa da génese portuguesa, que deveriam ser uma herança fundacional para as gerações futuras. Esta aldeia espelha a realidade de muitas outras no nosso país e o seu legado emana um povo. Valorizar o território e redefinir esta periferia portuguesa procurando nos conhecimentos e saberes populares o percurso dum novo futuro para o interior de Portugal é a essência deste projeto. Casaescola é um projeto-piloto de intervenção desenhado para esta aldeia. Foram avaliadas como necessidades prementes três domínios de atuação inicial - Formação, Saúde e Exercício e Ambiente e Agropecuária -, como forma de reconduzir a população numa atitude de formação das novas gerações e com esta ligação manter os seus legados culturais, gerar benefícios económicos e sociais, divulgar e dinamizar a aldeia. Salvaguarda-se no entanto que numa fase posterior a intervenção poderá conter outras áreas. Ambiciona-se criar um modelo possível de ser replicado noutras zonas periféricas, ajustável às particulares realidades. O estabelecimento de parcerias com estruturas locais de Bragança e externas, bem como com projetos nacionais e internacionais em curso, para a constituição de equipas capazes de minorar os fatores apontados anteriormente e gerar benefícios para esta aldeia pela criação de soluções de apoio e desenvolvimento social, cultural e económico, irá agilizar a sua operacionalização.

Jacinta Helena Alves Lourenço Casimiro da Co

Visionário
Bragança, Portugal

Carlos Sousa Casimiro da Costa

Facilitador
Bragança, Portugal

Graciete Manuela Alves Lourenço

Facilitador
Gaia, Portugal

Miguel Casimiro da Costa Teixeira Pin

Facilitador
Caracas, Venezuela

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